"Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada, ou qualquer lago seja construído é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma.Quem não tem jardim por dentro, não planta jardim por fora. E nem passeia neles". Rubem Alves

sábado, 12 de novembro de 2011

Nothing Else Matters - Nada mais importa !!!

Essa é uma música que amo demais!

Há momentos na vida que chegamos a esse "compreender":


Nada, nada mais importa....


Algumas versões que eu gosto :





Nothing Else Matters
Nada Mais Importa

So close no matter how far
Tão perto, não importa o quão distante
Couldn't be much more from the heart
Não poderia ser muito mais distante do coração
Forever trusting who we are
Eternamente confiando em quem somos
And nothing else matters
E nada mais importa

Never opened myself this way
Nunca me abri deste jeito
Life is ours, we live it our way
A vida é nossa, nós a vivemos do nosso modo
All these words I don't just say
Todas estas palavras, eu não digo apenas
And nothing else matters
E nada mais importa

Trust I seek and I find in you
Eu procuro confiança e encontro em você
Every day for us something new
Cada dia para nós é algo novo
Open mind for a different view
Mente aberta para uma concepção diferente
And nothing else matters
E nada mais importa

Never cared for what they do
Nunca me importei com o que eles fazem
Never cared for what they know
Nunca me importei com o que eles sabem
But I know
Mas eu sei

So close no matter how far
Tão perto, não importa o quão distante
Couldn't be much more from the heart
Não poderia ser muito mais distante do coração
Forever trusting who we are
Eternamente confiando em quem somos
And nothing else matters
E nada mais importa

Never cared for what they do
Nunca me importei com o que eles fazem
Never cared for what they know
Nunca me importei com o que eles sabem
But I know
Mas eu sei

I never opened myself this way
Nunca me abri deste jeito
Life is ours, we live it our way
A vida é nossa, nós a vivemos do nosso modo
All these words I don't just say
Todas estas palavras, eu não digo apenas
And nothing else matters
E nada mais importa

Trust I seek and I find in you
Eu procuro confiança e encontro em você
Every day for us something new
Cada dia para nós é algo novo
Open mind for a different view
Mente aberta para uma concepção diferente
And nothing else matters
E nada mais importa

Never cared for what they say
Nunca me importei com o que eles dizem
Never cared for games they play
Nunca me importei com os jogos que eles jogam
Never cared for what they do
Nunca me importei com o que eles fazem
Never cared for what they know
Nunca me importei com o que eles sabem
And I know, yeah
E eu sei, sim

So close no matter how far
Tão perto, não importa o quão distante
Couldn't be much more from the heart
Não poderia ser muito mais distante do coração
Forever trusting who we are
Eternamente confiando em quem somos



And nothing else matters
E nada mais importa









Gosto muito da voz de Xênia :


a voz de um anjo




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D - Carlos Drummond de Andrade - Poesias


Belíssima arte de Leonid Afremov





Hoje, 31.10.2011 o grande escritor, poeta, Carlos Drummond de Andrade
completaria 109 anos.
Poeta que leio praticamente todos os dias ,
que me emociona sempre,
que traz sabedoria, amor, delicadeza,
sutileza, docilidade,
sensualidade à minha vida...
O que seria de mim sem o encanto dos grandes poetas !!

Carlos Drummond de Andrade

Nosso Grande Poeta Mineiro da cidade de Itabira, nasceu em 31 de outubro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1987.

Continua muito vivo nos corações das pessoas sensíveis e cultas!!!


NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra

* *

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossege

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

* *

Mundo grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.

Nele não cabem nem as minhas dores.

Por isso gosto tanto de me contar.

Por isso me dispo,

por isso me grito,

por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:

preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.

Só agora vejo que nele não cabem os homens.

Os homens estão cá fora, estão na rua.

A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.

Mas também a rua não cabe todos os homens.

A rua é menor que o mundo.

O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.

Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.

Viste as diferentes cores dos homens,

as diferentes dores dos homens,

sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso

num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.

Escuta a água nos vidros,

tão calma, não anuncia nada.

Entretanto escorre nas mãos,

tão calma! Vai inundando tudo...

Renascerão as cidades submersas?

Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.

Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.

Só agora descubro

como é triste ignorar certas coisas.

(Na solidão de indivíduo

desaprendi a linguagem

com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,

as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.

Nunca escutei voz de gente.

Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei

países imaginários, fáceis de habitar,

ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.

Ilhas perdem o homem.

Entretanto alguns se salvaram e

trouxeram a notícia

de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,

entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.

Entre o amor e o fogo,

entre a vida e o fogo,

meu coração cresce dez metros e explode.

– Ó vida futura! Nós te criaremos.

* *

Necrológio dos desiludidos do amor

Os desiludidos do amor

estão desfechando tiros no peito.

Do meu quarto ouço a fuzilaria.

As amadas torcem-se de gozo.

Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,

escreveram cartas explicativas,

tomaram todas as providências

para o remorso das amadas.

Pum pum pum adeus, enjoada.

Eu vou, tu ficas, mas os veremos

seja no claro céu ou no turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia

dos desiludidos que se mataram.

Que grandes corações eles possuíam.

Vísceras imensas, tripas sentimentais

e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério

levar os corpos dos desiludidos

encaixotados completamente

(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,

sem coração, sem tripas, sem amor.

Única fortuna, os seus dentes de ouro

não servirão de lastro financeiro

e cobertos de terra perderão o brilho

enquanto as amadas dançarão um samba

bravo, violento, sobre a tumba deles.

* *

O tempo passa ? Não passa

O tempo passa ? Não passa

O tempo passa ? Não passa

no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça

do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz

a um só verso e uma rima

de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido

nem tempo a economizar.

O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,

transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,

amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário

tanto o ontem como o agora,

e o teu aniversário

é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou

do tempo, não tem idade,

pois só quem ama escutou

o apelo da eternidade.

* *

Quarto em desordem

Na curva perigosa dos cinqüenta

derrapei neste amor. Que dor! que pétala

sensível e secreta me atormenta

e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor

na quinta-essência da palavra, e mudo

de natural silêncio já não cabe

em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui

nesse objeto mais vago do que nuvem

e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária

a esse cavalo solto pela cama

a passear o peito de quem ama.

* *

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?


e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?


e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,


e agora, José?


E agora, José?


sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.


José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?

* *

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor

é isso que você está vendo:

hoje beija, amanhã não beija,

depois de amanhã é domingo

e segunda-feira ninguém sabe

o que será.


Inútil você resistir

ou mesmo suicidar-se.

Não se mate, oh não se mate,

reserve-se todo para

as bodas que ninguém sabe

quando virão,

se é que virão.


O amor, Carlos, você telúrico,

a noite passou em você,

e os recalques se sublimando,

lá dentro um barulho inefável,

rezas,

vitrolas,

santos que se persignam,

anúncios do melhor sabão,

barulho que ninguém sabe

de quê,

pra quê.


Entretanto você caminha

melancólico e vertical.

Você é a palmeira, você é o grito

que ninguém ouviu no teatro

e as luzes todas se apagam.

O amor no escuro, não, no claro,

é sempre triste, meu filho, Carlos,

mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.


* *

Destruição

Os amantes se amam cruelmente

e com se amarem tanto não se vêem.

Um se beija no outro, refletido.

Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados

pelo mimo de amar: e não percebem

quanto se pulverizam no enlaçar-se,

e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma

que os passeia de leve, assim a cobra

se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.

deixaram de existir, mas o existido

continua a doer eternamente.

* *

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.


* * * * * * *


Entre a raiz e a flor há o tempo!!!


C D A


* * * * * * *



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"In poesia" - Poema de Eça de Queiroz








Tinha suspirado, tinha beijado
o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam
aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se
ao calor amoroso que saía delas,
como um corpo ressequido
que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima
por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim
numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha
o seu encanto diferente,
cada passo conduzia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo,
radioso de sensações!

(Primo Basílio - Eça de Queiróz - 1878)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Rumi - Poesias









"Isso é amor:

voar para um céu distante;
Fazer uma centena de véus cair a cada instante.
Primeiro, deixar a vida seguir seu curso.
E, finalmente,

dar um passo sem os pés".



Vem
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos,
sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: "toca",
se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.



"No inverno, os ramos nus
que parecem dormir
trabalham em segredo,
preparando-se para a primavera."



Nossa Canção Vitoriosa

Nesse dia final,
quando me ponham a mortalha,
não penseis que minha alma
permanecerá neste mundo.

Não chores por mim, gritando:
“Que tragédia, que tragédia!”
Cairias assim nas armadilhas
de um enganoso espelhismo.
Essa seria a verdadeira tragédia!

Quando vires meu corpo inanimado passar,
não griteis: “Se foi!, se foi!”,
pois será meu momento de união,
de aceitar o abraço eterno do Amado.

Quando me introduzirem na cova,
não me digais: “Adeus, adeus!”
A tumba é apenas um véu
que oculta o esplendor do Paraíso.

Pensa na aurora se houveres visto o ocaso.
Que dano fez pôr-se à Lua ou ao Sol?
O que é crepúsculo a vossos olhos
É alvorada para mim.
O que é para vocês uma prisão
É para minha alma um infinito jardim.

Crescerá toda semente no solo enterrada.
Haveria de ser diferente à semente humana?
Sai cheio cada balde que desce ao poço.
Deveria queixar-se me em vez de água
Retiro o próprio José (a beleza)?

Não busqueis aqui as palavras,
Busca-as em outro lugar.
Canta para mim no silêncio do coração
E me erguerei da terra para ouvir
Vossa vitoriosa canção.



Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?

Finalmente, foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.



"Toda árvore ganha beleza
quando tocada pelo Sol."




Jalaluddin Rumi



sábado, 30 de julho de 2011

Desassossego - Fernando Pessoa [Bernardo Soares]





Há muito tempo que não escrevo. Têm passado meses sem que viva, e vou durando, entre o escritório e a fisiologia, numa estagnação íntima de pensar e de sentir. Isto, infelizmente, não repousa: no apodrecimento há fermentação.

Há muito tempo que não só não escrevo, mas nem sequer existo. Creio que mal sonho. As ruas são ruas para mim. Faço o trabalho do escritório com consciência só para ele, mas não direi bem sem me distrair: por detrás estou, em vez de meditando, dormindo, porém estou sempre outro por detrás do trabalho.

Há muito tempo que não existo. Estou sossegadíssimo. Ninguém me distingue de quem sou. Senti-me agora respirar como se houvesse praticado uma coisa nova, ou atrasada. Começo a ter consciência de ter consciência. Talvez amanhã desperte para mim mesmo, e reate o curso da minha existência própria. Não sei se, com isso, serei mais feliz ou menos. Não sei nada. Ergo a cabeça de passeante e vejo que, sobre a encosta do Castelo, o poente oposto arde em dezenas de janelas, num revérbero alto de fogo frio. À roda desses olhos de chama dura toda a encosta é suave ao fim do dia. Posso ao menos sentir-me triste, e ter a consciência de que, com esta minha tristeza, se cruzou agora – visto com ouvido – o som súbito do eléctrico que passa, a voz casual dos conversadores jovens, o sussurro esquecido da cidade vida.

Há muito tempo que não sou eu.

****

Acontece-me às vezes, e sempre que acontece e quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de acto com que dominá-lo. Para o remediar o suicídio parece incerto, a morte, mesmo suposta a inconsciência, ainda pouco. É um cansaço que ambiciona, não o deixar de existir — o que pode ser ou pode não ser possível —, mas uma coisa muito mais horrorosa e profunda, o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser.

Creio entrever, por vezes, nas especulações, em geral confusas, dos índios qualquer coisa desta ambição mais negativa do que o nada. Mas ou lhes falta a agudeza de sensação para relatar assim o que pensam ou lhes falta a acuidade de pensamento para sentir assim o que sentem. O facto é que o que neles entrevejo não vejo. O facto é que me creio o primeiro a entregar a palavras o absurdo sinistro desta sensação sem remédio.

E curo-a com o escrevê-la. Sim, não há desolação, se é profunda deveras, desde que não seja puro sentimento, mas nela participe a inteligência, para que não haja o remédio irônico de a dizer. Quando a literatura não tivesse outra utilidade, esta, embora para poucos, teria.

Os males da inteligência, infelizmente, doem menos que os do sentimento, e os do sentimento, infelizmente, menos que os do corpo. Digo «infelizmente» porque a dignidade humana exigiria o avesso. Não há sensação angustiada do mistério que possa doer como o amor, o ciúme, a saudade, que possa sufocar como o medo físico intenso, que possa transformar como a cólera ou a ambição. Mas também nenhuma dor das que esfacelam a alma consegue ser tão realmente dor como a dor de dentes, ou a das cólicas, ou (suponho) a dor de parto.

De tal modo somos constituídos que a inteligência que enobrece certas emoções ou sensações, e as eleva acima das outras, as deprime também se estende a sua análise à comparação entre todas.

Escrevo como quem dorme, e toda a minha vida é um recibo por assinar.

Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.

****

A doçura de não ter família nem companhia, esse suave gosto como o do exílio, em que sentimos o orgulho do desterro esbater-nos em volúpia incerta a vaga inquietação de estar longe — tudo isto eu gozo a meu modo, indiferentemente. Porque um dos detalhes característicos da minha atitude espiritual é que a atenção não deve ser cultivada exageradamente, e mesmo o sonho deve ser olhado alto, com uma consciência aristocrática de o estar fazendo existir. Dar demasiada importância ao sonho seria dar demasiada importância, afinal, a uma coisa que se separou de nós próprios, que se ergueu, conforme pôde, em realidade, e que, por isso, perdeu o direito absoluto à nossa delicadeza para com ela.

As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais.

O meu mundo imaginário foi sempre o único mundo verdadeiro para mim. Nunca tive amores tão reais, tão cheios de verve de sangue e de vida como os que tive com figuras que eu próprio criei.
Que pena! Tenho saudades deles, porque, como os outros, passam...

****

A alma humana é vítima tão inevitável da dor que sofre a dor da surpresa dolorosa, mesmo com o que devia esperar. Tal homem, que toda a vida falou da inconstância e da volubilidade feminina como de coisas naturais e típicas, terá toda a angústia da surpresa triste quando se encontre traído em amor — tal qual, não outro, como se tivesse sempre tido por dogma ou esperança a fidelidade e a firmeza da mulher.
Tal outro, que tem tudo por oco e vazio, sentirá como um raio súbito a descoberta de que têm por nada o que escreve, ou que é estéril o seu esforço por ensinar ou que é falsa a comunicabilidade da sua emoção.

Não há que crer que os homens, a quem estes desastres acontecem, e outros desastres como estes, houvessem sido pouco sinceros nas coisas que disseram, ou que escreveram, e em cuja substância esses desastres eram previsíveis ou certos. Nada tem a sinceridade da afirmação inteligente com a naturalidade da emoção espontânea. E isto parece poder ser assim, a alma parece poder assim ter surpresas, só para que a dor lhe não falte, o opróbio não deixe de lhe caber, a mágoa não lhe escasseie como quinhão igualitário na vida.

Todos somos iguais na capacidade para o erro e para o sofrimento. Só não passa quem não sente; e os mais altos, os mais nobres, os mais previdentes, são os que vêm a passar e a sofrer do que previam e do que desdenhavam.

É a isto que se chama a Vida.

****

Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. Caí entre as esperanças e as certezas, com os poentes todos.

[Bernardo Soares]

domingo, 17 de julho de 2011

O desencanto, desalento e a estrela - Manuel Bandeira - poemas









Hoje acordei recitando mentalmente a poesia "Estrela" de Manuel Bandeira (uma de minhas preferidas) ouvindo o som dos pássaros cantando no jardim (presente diário), e como eu gosto demais de seus poemas, meu silêncio se quebra com algumas preciosas poesias dele...

Requiem - é preciso morrer para renascer !!!
Rose...


A ESTRELA



Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.



A MORTE ABSOLUTA

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
– Sem deixar sequer esse nome.


DESENCANTO


Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.


DESALENTO

Uma pesada, rude canseira
Toma-me todo. Por mal de mim,
Ela me é cara... De tal maneira,
Que às vezes gosto que seja assim...

É bem verdade que me tortura
Mais que as dores que já conheço.
E em tais momentos se afigura
Que estou morrendo... que desfaleço...

Lembrança amarga do meu passado...
Como ela punge! Como ela dói!
Porque hoje o vejo mais desolado,
Mais desgraçado do que ele foi...

Tédios e penas cuja memória
Me era mais leve que a cinza leve,
Pesam-me agora... contam-me a história
Do que a minh'ama quis e não teve...

O ermo infinito do meu desejo
Alonga, amplia cada pesar...
Pesar doentio... Tudo o que vejo
Tem uma tinta crepuscular...

Faço em segredo canções mais tristes
E mais ingênuas que as de Fortúnio:
Canções ingênuas que nunca ouvistes,
Volúpia obscura deste infortúnio...

Às vezes volvo, por esquecê-la,
A vista súplice em derredor.
Mas tenha medo do que sem ela
A desventura seja maior...

Sem pensamentos e sem cuidados,
Minh'alma tímida e pervertida,
Queda-se de olhos desencantados
Para o sagrado labor da vida...

Teresópolis, 1912




DESESPERANÇA



Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

- Ah, como dói viver quando falta a esperança!


ÚLTIMO POEMA

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e
[menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes
[mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cecília Meireles in "A Última Cantiga" and...








A ÚLTIMA CANTIGA



Num dia que não se adivinha,
meus olhos assim estarão:
e há de dizer-me: «Era a expressão
que ela ultimamente tinha.»
Sem que se mova a minha mão
nem se incline a minha cabeça
nem a minha boca estremeça,
- toda serei recordação.
Meus pensamentos sem tristeza
de novo se debruçarão
entre o acabado coração
e o horizonte da língua presa.
Tu, que foste a minha paixão,
virás a mim, pelo meu gosto,
e de muito além do meu rosto
meus olhos te percorrerão.
Nem por distante ou distraído
escaparás à invocação
que, de amor e de mansidão,
te eleva o meu sonho perdido.
Mas não verás tua existência
nesse mundo sem sol nem chão,
por onde se derramarão
os mares da minha incoerência.
Ainda que sendo tarde e em vão,
perguntarei por que motivo
tudo quanto eu quis de mais vivo
tinha por cima escrito: «N ã o».
E ondas seguidas de saudade,
sempre na tua direção,
caminharão, caminharão,
sem nenhuma finalidade.



CANÇÃO DO MUNDO ACABADO


Meus olhos andam sem sono,
somente por te avistarem
de uma tão grande distância
De altos mastros ainda rondo
tua lembrança nos ares.
O resto é sem importância.
Certamente, não há nada
de ti, sobre este horizonte,
desde que ficaste ausente.
Mas é isso o que me mata:
sentir que estás não sei onde,
mas sempre na minha frente.
Não acrediteis em tudo
que disser a minha boca
sempre que te fale ou cante.
Quando não parece, é muito,
quanto é muito, é muito pouco,
e depois nunca é bastante...
Foste o mundo sem ternura
em cujas praias morreram
meus desejos de ser tua.
A água salgada me escuta
e mistura nas areias
meu pranto e o pranto da lua.
Penso no que me dizias,
e como falavas, e como te rias...
Tua voz mora no mar.
A mim não fizeste rir
e nunca viste chorar.
(Porque o tempo sempre foi
longo para me esqueceres
e curto para te amar.)



HERANÇA

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão.

Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,
essa vida, que era tão viva, tão fecunda,
porque vinha de um coração?

E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos,
do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou premio, alcançarão?



Conheço a residência da dor.
É num lugar afastado,
Sem vizinhos, sem conversa, quase sem lágrimas,
Com umas imensas vigílias, diante do céu.

A dor não tem nome,
Não se chama, não atende.
Ela mesma é solidão:
Nada mostra, nada pede, não precisa.
Vem quando quer.

O rosto da dor está voltado sobre um espelho,
Mas não é rosto de corpo,
Nem o seu espelho é do mundo.

Conheço pessoalmente a dor.
A sua residência , longe,
em caminhos inesperados.

Às vezes sento-me em sua porta, na sombra das suas árvores.

E ouço dizer:
"Quem visse, como vês, a dor, já não sofria".
E olho para ela, imensamente.
Conheço há muito tempo a dor.
Conheço-a de perto.
Pessoalmente.



A DOCE CANÇÃO



Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade - e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem os defuntos.
Um arco-íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto
Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
- Todos perdidos de encanto só eu morrendo de triste!

Por isso tão docemente
meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não aumente,
para trazer o Universo de
pólo a pólo contente!




♥ " Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei, não sei
-Não sei se fico ou passo."♥

sábado, 26 de março de 2011

Segue o teu destino - Ode de Ricardo Reis - {Fernando Pessoa}








Quando recebi esse poema (Segue o teu destino),não pude deixar de reafirmar quão sensível é a alma que me enviou...li muitas vezes, refleti, meditei e encontrei caminhos...são direcionamentos mesmo que vejo nos poemas que coloco aqui...

Segundo Ricardo Reis, as dores de nossa vida vem dos relacionamentos que temos com os outros e para fugir dessas dores o melhor é seguir sozinho(sem esperar algo no outro ou nos outros - viver para si e por si)...
viver a vida sem pensar, segui-la de longe, sem questioná-la.

Deixaremos de sofrer quando ouvirmos o Mestre que está no nosso Eu Interior... Independente de onde depositamos nossa Fé, há uma força interior que nos move a todo instante, essa força é produto das experiências de vida, é resultado do que fazemos daquilo que nos fere, nos machuca ou nos faz bem...é o grande aprendizado.

Eu não perderei minha sensibilidade jamais, apesar de tudo... apesar de minhas fraquezas, apesar das mentiras que me contaram, apesar das invejas, das maledicências, da maldade mascarada daqueles que por ventura em algum momento tiveram a infelicidade de realizá-las...

Continuarei a semear mesmo que alguns pisem na minha colheita !!!
Não abrirei mão nunca de quem sou por nada nem por ninguém...

"A cada um segundo suas obras"

Obrigada Luiz, sua alma encantada fez com que algo despertasse em mim...
Que seria de mim, se eu não tivesse preciosas pessoas ao meu lado!

Namaste!!!




Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Não Tenhas


Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.


Para ser Grande, sê Inteiro

Para ser grande, sê inteiro
nadaTeu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
[...]
Fernando Pessoa








Rega as tuas plantas,



Ama as tuas rosas.



O resto é a sombra



De árvores alheias.









Senta-te ao sol.



Abdica E sê rei de ti próprio.




Que assim seja!!!!!!!

sábado, 19 de março de 2011

Poema dos olhos da amada - Vinicius de Morais


E porque hoje teremos uma Lua Cheia especial como há 18 anos não vemos, e porque é a minha lua, e não deixo de reverenciá-la nunca, todo mês nós nos unimos em pensamento, sentimento, coração e...emoção, dedico o poema e a msc que recebi aos que tem a felicidade de
amar verdadeiramente, valorizam e sabem cuidar desse amor!

Lua amada,
Ilumine e encante mais a minha vida!!!

POEMA DOS OLHOS DA AMADA
Vinícius de Morais

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

Obrigada a quem me enviou o vídeo e o poema!
Lindos demais!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mi Mancherai








Mi Mancherai

Me Faltarás



Mi mancherai se te ne vai
Me faltarás se for embora

Mi mancherà la tua serenità
Me faltará a sua serenidade

Le tue parole come canzoni al vento
As tuas palavras, como canções ao vento

E l'amore che ora porti via
E o amor que agora levas embora



Mi mancherai se te ne vai
Me faltarás se for embora

Ora per sempre non so come vivrei
Agora e para sempre não sei como viverei

E l'allegria, amica mia
E a alegria que era minha amiga

Va via con te
Vai embora com você


Mi mancherai, mi mancherai
Me faltarás me faltarás

Perché vai via?
Porque vai embora?

Perché l'amore in te si é spento
Porque o amor em você se apagou?

Perché, perché?
Porque, porque?


Non cambiera niente lo so
Não mudará nada eu sei

E dentro sento te
E dentro sinto você



Mi mancherai, mi mancherai
Me faltarás me faltarás

Perché vai via
Porque vai embora?

Perché l'amore in te si é spento
Porque o amor em você se apagou?

Perché, perché?
Porque, porque?

Non cambiera niente lo so
Não mudará nada eu sei

E dentro sento che
E dentro sinto que



Mi manchera l'immensita
Me faltará a imensidão

Dei nostri giorni e notti insieme noi
Dos nossos dias e noites juntos

I tuoi sorrisi quando si fa buio
O teu sorriso quando fica escuro

La tua ingenuita da bambina, tu
A tua ingenuidade de uma criança



Mi mancherai amore nio
Me faltarás meu amor

Mi guardo e trovo un vuoto
Olho para mim e vejo um vazio

dentro me
Aqui dentro



E l'allegria, amica mia
E a alegria que era minha amiga

Va via con te
Vai embora com você